Dica descompromissada, mas de qualidade: Noites Brancas de Dostoiévski

Imagem: Arquivo pessoal

Tempinho atrás li um livro do Nabokov (Fogo Pálido), agora terminei de ler uma obra de outro ator nascido por aquelas bandas, Noites Brancas de Fiódor Dostoiévski. Sério, mera coincidência.

E, esta pequena obra – literalmente, não tem nem cem páginas – foi feita bem antes dos clássicos Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov (este último ainda não li, infelizmente não tenho, mas em um momento vai rolar).

Noites Brancas é ambientada em São Petersburgo. Basicamente narra um romance do personagem principal com Nastiénka, cuja mulher encontra por acaso em uma ponte a beira do rio e tal.

Dali, desenrola diálogos a perder de vista, a entrada de um terceiro personagem, e várias referências à cidade em que Dostoiévski viveu depois de deixar Moscou. Noites Brancas é uma alusão ao período do ano na cidade palco do livro em que o sol nunca se põe totalmente.

Olha, a obra foi feita bem antes do autor ter sido preso, quase morto pelo regime czarista, passar um tempo forçado na Sibéria, e por aí vai. Daí, acho, só acho, sem nenhum embasamento teórico, que talvez Fiódor estava em um clima mais otimista. Começo de carreira, bastante sonhos. Se bem que a sua vida desde criança não foi um mar de rosas. Fio, que vida de Dor teve o escritor.

Se você for ler com a intenção de achar um “micro” Karamazov ou Crime e Castigo, nem precisa procurar. Noites Brancas é, desculpe aí se achar ruim, bem tranquilo. Daria um filme água com açúcar. Com uma grande diferença: qualidade Dostoiévski de texto e narrativa.

Ao fim do livro, você pode achar que o personagem principal é um homem legal. Ou, um mané. Ou, tudo junto. E, isso já diferencia Noites de um livro de romance comum.

A obra foi publicada pela primeira vez em 1848, o escritor então com 21 anos, pelo menos duas décadas antes das suas obras mundialmente lidas, debatidas e lembradas século afora.

A publicação da qual desfrutei é de 2000, da Editora 34. Com gravuras de Lívio Abramo e tradução de Nivaldo dos Santos. Pequeno diamante encontrado no sebo.

É por aí, uma dica acima da média para uma leitura descompromissada. Espairecer um pouco. E, quem sabe, ir em busca de mais coisas destes escritores maravilhosos.

No som, Cesar MC. Do qual, uma hora dessa vou dar uns pitacos. Tem umas músicas muito boas.

Abraço (Via Blog do Kishô)

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