Futebol feminino cresce no Brasil. Mas, cresce, mesmo?

Time das Moreninhas em jogo com o Toledo-PR, em Campo Grande, pelo Brasileiro da 2ª Divisão - Valentin Manieri/Jornal O Estado MS

Este ano tem Copa do Mundo de futebol feminino. Na França. Você sabia? Precisa ficar constrangido, não.  Começa em 7 de junho, desgraçadamente na época da Copa América masculina, no Brasil. Obviamente, o principal torneio delas ficará de escanteio. Infelizmente, “normal”.

Aos poucos, mas bem aos poucos, cresce. A fórceps, com iniciativas isoladas, até por parte da CBF. E, agora, muito devido à ação federal criada ainda na época da Dilma, em que os clubes têm de ter um time feminino para entrar em programas de dinheiro que passem pelo poder público (mesmo que parte da lei já esteja ou está em vias de desfiguração). Simples, assim. Por isso essa profusão de equipes de Série A do masculino no Brasileirão das minas, o que provocou a criação até de uma Segunda Divisão.

Na Espanha, o 18 de março entrou para a história quando o estádio Wanda Metropolitano em Madri, registrou a presença de 60.739 espectadores, recorde mundial de público em uma partida entre clubes do futebol feminino. Este ano, no Brasil, ouso dizer que se houve nem chegou a cinco o número de jogos dos caras com mais público que este, entre Atlético de Madri e Barcelona. Detalhe: a equipe madrilena foi campeã espanhola e tem no elenco a atacante brasileira Ludmila. Conhece? Faço um mea culpa, sinceramente, só soube nesta semana. Acesso e busca pela informação devem ser permanentes. Em qualquer área. Sem censura, se é que você me entende.

Não defendo que o futebol feminino de uma hora para outra receba holofotes, verbas, patrocínios, salários à altura do masculino. Seria um maluco de farda ou um tresloucado astrólogo boca suja fora da realidade. A ideia é criar espaço próprio, e não competir. Futebol até pode ser social, raiz, romântico, mas fundamentalmente e tem de ser business e render money. Sem o qual não sobrevive. E, as mulheres em campo merecem mais atenção. Sem coitadismo, não precisam disso. Até porque só elas sabem o que passaram ou passam para poder jogar na pátria de chuteiras. É porquê temos valores e se trabalhar, matéria prima para isso.

O processo é longo, pois nas arquibancadas ou em frente ás telas, também as torcedoras, em sua maioria esmagadora, sequer ajudam na audiência. Sejamos sinceros, hipocrisia existe também entre elas. Ou está mais para ignorância, do estilo, se não é visto não é lembrado?

Então, dê uma olhada nessas duas campanhas interessantes e bem diferentes. E, tire suas conclusões.

Entretanto, há que se discutir meios de balançar as redes, fazer ver e ouvir, e fazer jus ao antigo bordão “o Brasil é o país do futebol”. Ou, não é bem assim?  Abraço.

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