No futebol de 5, MS tem um time na Série A

Equipe do Ismac em treino na noite de sexta-feira (25), na quadra da Coopertáxi - Arquivo Pessoal
Equipe do Ismac em treino em outujbro, na quadra da Coopertáxi - Arquivo Pessoal

Fiz uma matéria que saiu na edição de domingo/segunda (26/27) do jornal O Estado MS e atualizada às 21h01 desta segunda-feira (28). Nela, o técnico/goleiro do Ismac, Eric Montenegro, fala da expectativa de jogar a Copa de Futebol de 5 – Série A. E, algumas coisas extra-quadra. Aliás, quadra que ainda o seu time não possui. Se quiser, confere aí que ficou bacana. Valeu!

O Brasil jamais perdeu uma decisão de futebol de 5 em Jogos Paralímpicos. São quatro ouros desde Atenas 2004, quando a modalidade foi incluída no calendário da competição. Tamanho sucesso faz com que o esporte ganhe cada vez mais espaço em nível nacional.

Prova disso é de que a Série A da Copa, que começou nesta segunda-feira (28), em São Paulo (SP), terá a final transmitida pelo SporTV, no próximo domingo (3),às 8h20 (de MS). E, diferente de muitos campeonatos de futebol profissional, incluso o de Mato Grosso do Sul, que nacionalmente chafurda na Série D, tenha até naming right.

A Copa Loterias Caixa de Futebol de 5 reúne as 12 melhores equipes do país. Nomes como Ricardinho, da Agafuc, melhor jogador do mundo na modalidade, estarão presentes. Neste contexto, o elenco do Ismac viaja domingo, ao meio- -dia, e a intenção é incomodar os adversários. “A expectativa é a melhor possível, estamos treinando para dar trabalho para as grandes equipes”, disse Eric Montenegro.

Aos 38 anos, Eric é o goleiro do time de Campo Grande. E, na prática, também um dos responsáveis pelos treinamentos. “Mas no campeonato irá um outro profissional para responder como técnico. Pois o regulamento não permite duas funções”, falou o jogador-treinador, ao jornal O Estado, na noite de sexta-feira (25).

O Ismac chegou ao “Brasileirão” do futebol de cegos depois de um caminho trilhado pelo vice do Regional em 2018, campeão da Série B, e vitória no Regional em 2019. “Sabemos que é difícil, mas não impossível. Nosso planejamento é permanecer na Série A, mas sabemos que podemos ir mais longe. E quem sabe estar entre os quatro melhores do Brasil”, almeja o dono da posição. Que busca concorrentes para a sua vaga. Literalmente. “Ainda sou goleiro porque é difícil conseguir goleiro para jogar com cegos. Mas nessa competição estou levando um rapaz de 20 anos, preparando ele para o ano que vem, preciso ficar só na função de técnico”, fala o responsável pelo time, que leva na esportiva a situação.

O grupo que embarca rumo às disputas no Centro Paralímpico de São Paulo (SP) é composto por dez jogadores. “São oito paratletas e dois goleiros. Só os goleiros são de Mato Grosso do Sul, quatro são da Paraíba, um de Fortaleza, um da Argentina, e um do Paraguai”, enumera Eric. “Dois dos nossos atletas têm passagem pela seleção brasileira, o argentino é da seleção de seu país e o paraguaio também”, acrescenta.

A equipe que viajou para o Nacional terá Gabriel; Eric; David Ivo; Ataualpa; Fernando; Antonio Pereira; Evelio Pavón; Marquinhos; Rodrigo Felix; Alejandro Mosson. O técnico inscrito é Gilson Kamiya.

Sucesso dentro de quadra mesmo sem apoio privado

A impressão é a de que o Ismac tenha uma estrutura diferenciada ou à altura dos principais clubes brasileiros. Não é bem assim. As despesas durante o campeonato serão custeadas pela CBDV (Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais), que também contribui com as passagens junto com a Fundesporte (Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul). “Poder privado não tem apoio algum”, afirma Montenegro.

Na sexta-feira, a correria ainda era para achar um local para efetuar os últimos treinos. A comissão técnica já havia reservado um espaço, mas o dono do lugar em cima da hora disse que precisaria utilizar a quadra. “O Ismac não tem condições no momento de ter um espaço para treino do futebol de 5, então buscamos parcerias com quadras de instituições ou locais de locação. Mas é muito difícil, temos parceria com a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) mas lá está em reforma”, responde Eric.

O treino da sexta aconteceu de noite na quadra da Coopertáxi, que já é adaptada para o futebol de 5 para cegos. Questionado também se nos demais 11 times que jogarão a Série A a realidade é a mesma, comentou que, “a maioria das equipes passa por isso”. Mas… “tem duas no Brasil que possuem lei do incentivo ao esporte pelo governo federal, aí têm uma estrutura bem melhor. Como a Agafuc atual campeã, que tem até fisioterapeuta, por exemplo, na equipe”.

Copa Caixa Futebol de 5 – Série A

GRUPO A: Agafuc-RS; Apadv-SP; UBC-BA; Cadevi-SP

GRUPO B: Cedemac-MA; ICB-BA; ADVP-PE; Ismac-MS

GRUPO C: Apadevi-PB; Urece-RJ; CEIBC-RJ; AMC-MT

Tabelinha de jogos (horário de MS)

28/10  – Cedemac 2 x 1 Ismac – 11h

29/10 – ICB x Ismac – 9h30

30/10 – ADVP x Ismac – 14h

01/11 – Quartas de final

02/11 – Semifinal

03/11 – Final

Regulamento – As equipes estão divididas em três grupos com quatro em cada. Avançam para as quartas de final os oito melhores classificados da primeira fase no geral, independente dos grupos a que pertençam.

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