Vinte e cinco anos Da Lama ao Caos

A capa do álbum Da Lama ao Caos - Reprodução

“Modernizar o passado

É uma evolução musical

Cadê as notas que estavam aqui?

Não preciso delas

Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos

O medo dá origem ao mal

O homem coletivo sente a necessidade de lutar

O orgulho, a arrogância, a glória

Enche a imaginação de domínio

São demônios os que destroem o poder bravio da humanidade”

E, pensar que recebi o meu diploma de jornalista ao som de Monólogo ao pé do ouvido, lá pelos idos de antes dos anos 2000 chegar. No teatro Glauce Rocha, dentro da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Foi bacana demais. Só faltou meus pais lá, que na ocasião estavam em um momento roots no Japão.

Pieguice à parte, esta introdução fica a milhas e milhas da que abre o Da Lama ao Caos. As aspas acima deixam qualquer pretensão no chinelo;

O primeiro de Chico Science e Nação Zumbi, que completa 25 anos. Lançado em 1994, é um dos melhores do então movimento mangue beat. Vai dizer que você, novinho/novinha, jamais ouviu falar? Busque aí. Manifesto e tal. Fred Zero Quatro, Mundo Livre, Otto, e uma pá de gente boa brotou de Recife. Devotos do Ódio, Faces do Subúrbio, caraca, tudo de lá, bons tempos.

Depois vem presida zoar com o Nordeste. E, um monte de gente que acha engraçado, mas adora passear por lá.

Volto ao álbum produzido por Liminha, que fez o maracatu juntar com rock e tudo o mais. Francisco de Assis França auto-intulava um garotinho cheio de ideias. O vocalista da Nação Zumbi parecia ser daqueles caras gente boa, com uma empatia para poucos. As letras dele com a banda – aliás Lúcio Maia na guitarra é coisa fina – hoje não deve soar bem para muitos. O que é pouco.

Chico Science e seus parças da época de alienados nada tinham. O Josué, eu nunca vi tamanha desgraça, canta ele na música que leva o nome do álbum, é ou pode ser alusão a Josué de Castro, tiozinho internacionalmente conhecido por sua Geografia da Fome. Não li, mas tenho bastante noção do que seja e sim, um dia ainda quero adquirir e desfrutar.

Das 14 faixas do Da (lai?) Lama, nenhuma passa em branco. Desde a canção de amor Risoflora, baseada na história de uma lavadeira e um pescador, até a Salustiano Song…sem palavras.

CSNZ ainda fariam um petardo talvez mais brilhante na sequência: Afrocibederlia, de 1996. O último com Chico entre a gente. No ano seguinte, uma porcaria de cinco de segurança não funcionou e um dos caras que mais admiro até hoje na cena brasileira foi-se.

O Nação Zumbi segue em frente. Tive o privilégio de ver o show dos caras umas duas vezes. Sempre muito bom. Porém, faltará na minha egoísta lista de desejos assistir Chico em cima do palco. Cabeças como a dele é de uma ausência terrivelmente sentida no Brasilzão de hoje. Que ele já cantava e performava e se divertia e sofria desde aquele tempo. Abraço

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